Registro da harpia no Parque Nacional da Serra das Lontras reforça importância das florestas protegidas no Corredor Central da Mata Atlântica
- Projeto Harpia

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Atualizado: há 11 horas
Texto de Paulo Quadros e Mylena Kaizer
O registro recente da harpia (Harpia harpyja) no Parque Nacional (PARNA) da Serra das Lontras, no município de Arataca, no sul da Bahia, representa um importante indicativo da efetividade das ações de conservação na região. Considerada a águia mais poderosa do mundo e a maior predadora alada das florestas tropicais, a sua presença está diretamente associada às florestas bem preservadas.
O encontro ocorreu no dia 25 de fevereiro, durante a primeira visita de campo da equipe do Projeto Harpia Mata Atlântica ao parque. Logo nas primeiras horas de atividade, os pesquisadores avistaram o animal sobrevoando uma escarpa antes de pousar em uma árvore próxima, carregando um quati nas garras. A ave permaneceu no local durante a noite e, na manhã seguinte, ainda foi observada enquanto se alimentava da presa. “Esse registro é um dos poucos já realizados para a espécie nessa região. A presença da harpia indica que o parque ainda mantém áreas de floresta com qualidade suficiente para abrigar esse grande predador, que está criticamente ameaçado na Mata Atlântica”, explica o professor Aureo Banhos, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), coordenador do Projeto Harpia Mata Atlântica.

Figura 1. Harpia avistada com quati nas garras no Parque Nacional da Serra das Lontras em fevereiro de 2026. Foto: Projeto Harpia Mata Atlântica
O PARNA da Serra das Lontras integra, junto à Reserva Biológica (REBIO) de Una e ao Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) de Una, o Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Ilhéus, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO). Embora a presença da harpia no parque tenha sido relatada por ornitólogos no passado, essa é primeira vez que a ave é fotografada na área da unidade. Registros recentes com imagens da espécie também foram realizados na REBIO de Una por outros pesquisadores e no seu entorno pela comunidade local. A área das Unidades de Conservação de Una e Serra das Lontras representa o limite mais ao norte da Mata Atlântica onde há registros recentes da espécie.
Essas áreas protegidas conjuntamente a outras UCs estratégicas geridas pelo ICMBio, no Corredor Central da Mata Atlântica, em que a presença da harpia é conhecida, como o PARNA do Pau-Brasil, o PARNA e Histórico do Monte Pascoal, no sul da Bahia, a REBIO de Sooretama e REBIO Augusto Ruschi, no Espírito Santo, além de outras áreas protegidas privadas como a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, RPPN de Serra Bonita, RPPN Rio do Brasil e a Reserva Natural Vale, são essenciais na manutenção da biodiversidade e para promover a conectividade ecológica deste Corredor.
O Projeto Harpia Mata Atlântica investiga a situação da população da harpia no Corredor Central da Mata Atlântica, onde monitora os únicos ninhos conhecidos da espécie em todo o bioma. Um dos objetivos do projeto é conhecer e monitorar todos os ninhos da espécie abrigados pelas áreas protegidas do Corredor.

Figura 2. Harpia adulta chegando ao ninho com um tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) para alimentar o filhote. O ninho foi monitorado na RPPN de Serra Bonita - BA pelo Projeto Harpia Mata Atlântica. Foto: João Marcos Rosa
A harpia, também conhecida como gavião-real, ocorre naturalmente nas florestas tropicais que vão do sul do México ao nordeste da Argentina. No Brasil, está presente principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica. Essa ave depende de florestas bem preservadas para sobreviver. Alimenta-se principalmente de animais que vivem nas árvores, como preguiças, macacos e outros mamíferos arborícolas. Para se reproduzir, escolhe as maiores árvores da floresta, onde constrói grandes ninhos. A harpia tem um ciclo de vida lento: geralmente cria apenas um filhote por vez, que permanece com os pais por cerca de três anos antes de se tornar independente. A espécie começa a se reproduzir por volta dos cinco anos de idade e pode viver mais de 50 anos.
Por depender de grandes áreas de floresta e se reproduzir lentamente, a harpia é considerada uma espécie muito sensível às mudanças no ambiente, o que torna sua conservação essencial para a proteção das florestas da Mata Atlântica.
A espécie é considerada ameaçada em toda sua distribuição, sendo classificada como Vulnerável. Na Mata Atlântica, a harpia é considerada Criticamente Ameaçada de extinção, com populações pequenas e isoladas. Por isso, registros como esse são raros e altamente relevantes, indicando a existência de ambientes capazes de sustentar cadeias ecológicas complexas.

Figura 3. Harpia adulta na RPPN Estação Veracel, Porto Seguro - BA. Foto Jaílson de Souza
O resultado também reflete o trabalho integrado de gestores, pesquisadores do Projeto Harpia Mata Atlântica e comunidade local, cuja atuação prioriza o compromisso com a pesquisa e conservação da harpia e no engajamento social.
Mais do que um registro pontual, a presença da harpia no PARNA da Serra das Lontras reforça a importância da manutenção de áreas protegidas conectadas e bem manejadas. A proteção desses territórios é fundamental para garantir a sobrevivência de espécies emblemáticas e o equilíbrio dos ecossistemas.
O Projeto Harpia Mata Atlântica agradece todo o suporte de nossos parceiros e apoiadores!
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